O Existencialismo é um movimento filosófico científico que critica os princípios rígidos da ciência positiva, afirmando que há uma relação indissociável do ser com o mundo.
O Existencialismo aproxima-se do Estruturalismo no seu ideal de encontrar as bases do comportamento humano. Um dos princípios do Existencialismo consiste em “ir ao encontro dos fatos” e não somente em aplicar a teoria sobre o fato. Dessa maneira, podemos aprender a ver cada situação e cada ser humano como particular, concreto, com suas experiências distintas nas suas relações com o seu corpo, suas ideias, seus afetos e valores, seus objetivos e seu mundo físico e seu mundo social.
O Existencialismo afirma que o ser humano é único na sua existência, mesmo que, por recursos metodológicos, possamos representa-lo dentro de tendências de grupo.
O horizonte da transcendência
Um dos fatos mais fantásticos sobre o ser humano consiste na sua capacidade de vivenciar um estado condicional, um “como se”, assumindo temporariamente outras formas de existir. Estamos tratando, portanto, da noção básica da consciência que temos de nossa situação e dos planos para alcançarmos outro modo de vida. Sabemos onde estamos e onde gostaríamos de estar, esse é o ponto central deste item. Com essa base, podemos definir o ato de consumo como uma das infinitas possibilidades do comportamento humano na busca da realização dos planos de vida, isto é, de alcançar o imaginário de uma outra vida.
O horizonte do corpo
Assim como desejamos um outro tipo de vida, queremos frequentemente ter, ou aparentar ter, um corpo diferente. Não se trata de uma negação do corpo, mas a vontade de melhorá-lo, de transcender seus limites, seja na força, na velocidade, na beleza ou na permanência da juventude.
O horizonte de espaço
Se pudermos compreender as formas de comportamento que as pessoas estabelecem com seu espaço de convivência e os objetos inseridos neles, poderemos criar relações com as formas de consumo destes e de outros objetos.
O horizonte do tempo
Quanto aos valores e às crenças que norteiam o tempo, parece-nos haver uma mudança da valorização do tempo presente em detrimento do tempo futuro. Explicando de outra forma, as pessoas parecem estar aceitando como válido o argumento de que a vida é agora. Nosso foco relativo ao consumo, o tempo é uma das dimensões mais importantes, pois os planos estão diretamente ligados a ele. Os planos têm um conteúdo (o que pretendo alcançar), uma carga afetiva ( o quanto o resultado é importante para a minha vida) e um tempo de realização ( por quanto tempo eu estou disposto a esperar que o plano se realize).
O horizonte do outro
É claro que os planos de outra vida, de outro tempo e espaço interligam-se com as relações que estabelecemos com outras pessoas, próximas ou não. Como ponto central, podemos afirmar que estamos sempre buscando renovações nas relações com os outros, embora não possamos prescindir deles.
O horizonte simbólico
O ser humano é capaz de criar sinais e símbolos que comunicam mensagens, orientam as pessoas, classificam pessoas e grupos, incluem e excluem pessoas de grupos.
A busca da ordenação das experiências
Os horizontes anteriores, principalmente o da transcendência, podem dar a impressão de que as pessoas estão sempre – e somente- buscando o novo. A busca da rotina, porem também está presente.
Percebemos que a nossa existência se dirige para uma tentativa de ordem. Comportamentos de consumo, tais como rotinas de compra em supermercados ou férias repetindo destinos conhecidos, podem ser vistos como exemplos clássicos de ordenamento de nossas experiências.
Referência: Capítulo 2 de GIGLIO, Ernesto Michelangelo. O comportamento do Consumidor. 4ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011



